Pós-modernidade ambiental

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014



Alguns dos eticistas ambientais reclamam uma visão pós-moderna do Homem e do Mundo como forma de erigir uma autêntica abordagem ecológica capaz de enfrentar os desafios que a crise ambiental coloca.


Em que consiste essa visão pós-moderna da Natureza?


Em primeiro lugar convém identificar os traços caracterizadores da modernidade para depois, por oposição, caracterizar a "genuína ética ecológica" emergente da crítica a esses mesmos traços.

A visão moderna da Natureza e do Homem, em traços gerais, postula o seguinte:

  1. Cisão entre a Natureza e o Homem.
  2. Cisão entre pensamento e matéria.
  3. A Natureza e os seres não humanos não são mais do que coisas (mecânicas); a razão é substância infinita.
  4. Os seres racionais têm um valor intrínseco; todos os seres não racionais têm um valor instrumental( meios para os fins do Homem).
  5. Do ponto de vista do conhecimento o mundo divide-se em sujeito (Homem) e Objecto (Natureza).
  6. O Saber é analítico, fragmentado- decomposição do conhecimento em parcelas- especilaizado em áreas distintas.
  7. Elege a razão instrumental, aquela cuja vocação é a produção de artefactos, tecnologia, tendo como ideal o progresso.
  8. A ideia de progresso identifica-se com o total domínio da Natureza e dos processos naturais.
  9. A verdade é objectiva, factual e inteiramente racional- mitos e religião não passam de fantasias primitivas.

Interdependência homem-natureza 
A visão pós-moderna reclamada pelas éticas ambientais assenta nas conclusões da ciência contemporânea:

  • A ecologia e a biologia afirmam a continuidade e interdependência de todos os seres naturais (incluindo o Homem).
  • A física quântica afirma a mútua influência entre sujeito e objecto.
  • A neurobiologia afirma a importância do sentimento e das emoções nos processos cognitivos
A partir daqui, a visão que as éticas ambientais reclamam propõe:
  1. Uma visão integrada do Homem e da Natureza. O Homem faz parte da Natureza e a Natureza faz parte dele.
  2. Uma compreensão holística do real.
  3. A assunção de uma sabedoria integradora da ciência, do mito, da religião na compreensão do ser humano e da sua relação com o mundo natural.
  4. A concepção do humano na sua integralidade: Razão e Sentimento.
  5. A negação da ideia de progresso mensurável a partir da multiplicação de artefactos.
  6. A afirmação das implicações nefastas para o ser humano na sua acção contra a Natureza, dada a sua dependência do mundo natural.
  7. A revalorização da Natureza e das entidades não humanas como dignas de respeito e consideração moral.
  8. A valorização da afectividade, enquanto dimensão estrutural do ser, no reestabelecimento dos vínculos que ligam o homem a tudo o que o rodeia.

Em consequência, as éticas ambientais procuram alargar o horizonte da ética, libertando-a da clausura antropocêntrica e imediatista que a tem caracterizado na sua versão tradicional. q
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