Rio de Janeiro, trânsito maravilhoso

segunda-feira, 27 de abril de 2015


Rio de Janeiro, campeã de engarrafamento
Rio, metade do século 20. Faz mais de 50 anos... de descaso.
Os brasileiros passaram a engrossar uma triste estadística. Estão entre os cidadãos que mais sofrem com o trânsito no mundo inteiro. Um levantamento da empresa TomTom indicou que o Rio de Janeiro, conhecida pelo sedutor apelativo de cidade maravilhosa, é a terceira urbe com maior problema de congestionamento do planeta. A lista das dez primeiras ainda conta com Salvador, na quinta posição, e Recife no sexto lugar.

A liderança é de Istambul (Turquia), seguida pela Cidade do México. O ranking de 200 cidades pelo mundo é produzido pela empresa holandesa TomTom, fabricante de sistemas de navegação para automóveis, motocicletas, PDA's y telefones móveis.

Rio de Janeiro, campeã de engarrafamento
Rio 2015. Imagina Rio 2016, engarrafamentos olímpicos...
Pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral indica que, por causa do trânsito, um carioca perde hoje 2 horas e 40 minutos por dia atrapalhado nas congestionadas ruas da cidade, apenas indo ao trabalho e retornando em um trajeto médio. Isso é equivalente a perder mais de 27 dias de vida. 

Nos últimos 10 anos o tempo perdido no trânsito da caótica Rio de Janeiro triplicou por causa  do excesso de carros, vias ultrapassadas, falta de novas estradas e, sobretudo uma ausência quase total de gestão pública planificada e eficiente. Quem trafega pelas ruas do Rio tem a sensação de que o trânsito vive constantemente com o sinal fechado. A qualquer hora do dia, é um passo de procissão para se deslocar de casa para o trabalho e vice-versa. Para avançar 10 km nas principais vias de acesso ao centro da cidade, gasta-se em média uma hora e meia.

Claro, Rio não está sozinha nesse via-crúcis. Brasil já conta com mais de 50 cidades com problemas similares. Em São Paulo -a recordista de congestionamentos com marcas de mais de 300 km- , o paulistano perde 3,5 horas diárias, equivalente a uns 44 dias por ano, enquanto Recife detém a pole position no quesito de lentidão diária no rush noturno.

Recife, tá difícil voltar pra casa...
Oi amor, já estou perto de casa, viu?... Recife 2015.

O câncer
"O nome do câncer que corrói o espaço urbano no Brasil é indústria automotiva, que seca as artérias de trilhos, que pede corredores asfálticos cada vez maiores, em detrimento do espaço urbano arborizado, que aborta as ciclovias, que encerra o homem em prisão domiciliar por mais tempo a cada dia que passa em sua "casa que anda", que faz pouco caso da solidariedade no transporte e instiga o egoismo para vender mais. Esse câncer traz barulho e poluição. Ele dita a estrutura social pelo modelo dos carros que você compra. Utilitários de luxo, importados, maiores, ameaçadores, podem tudo. Blindados então...

 ...Defender os empregos que esta indústria cria é como defender o câncer para não desempregar os médicos. Porque não apenas imitamos quem já viveu todos estes problemas e desaceleramos a ditadura do automotor? Muito há de se fazer e tem que ser logo. Antes que se fechem esses canais de comunicação que incomodam a muitos. Se eu estou podendo passar meu ponto de vista, o que impede você que nos lê de fazê-lo e assim mostrar sua opinião? Começa aqui essa reviravolta"... asertivo comentário de Newman Homrichno blog Confraria Malunga.q
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Surfando na imundice global

quinta-feira, 23 de abril de 2015


Oceanos de lixo
O surfista Dede Surinaya em Java, Indonésia, a ilha mais povoada do mundo.  Superpopulação = superpoluição.

“Água e ar, os dois elementos essenciais 
dos quais toda a vida depende, 
se transformaram em 
dois contêineres de lixo globais”. 
                                                                                                                   - Jacques-Yves Cousteau -
        
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Somos todos índios

domingo, 19 de abril de 2015



A presença inalterada do índio está aí para nos lembrar quem somos, qual é a vida que podemos fazer por estas pampas, quanto vale a paz, a simplicidade voluntária. A presença do grande espírito está aí, na natureza do índio, sem facebook nem whatshapp, sem computador nem smartphone, de alma e corpo nus, para nos mostrar como será nosso futuro.

Esse futuro que está muito mais perto do que a gente imagina, esse dia próximo quando, como nos anunciou Caetano, um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante, de uma estrela que virá numa velocidade estonteante e pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante, depois de exterminada a última nação indígena e o espírito dos pássaros das fontes de água límpida mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias.

Veremos aí sim, um índio preservado, em pleno corpo físico, em todo sólido, todo gás e todo líquido, em átomos, palavras, alma, cor, em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico. Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico, do objeto -sim, resplandecente- descerá o índio e as coisas que eu sei que ele dirá, fará não sei dizer assim de um modo explícito.

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos, surpreenderá a todos não por ser exótico mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio... Aquilo que hoje está diante e por trás de nosso nariz e não conseguimos ver ainda. Mas chegaremos a ver. Não especificamente o índio mas nós mesmos, por inteiros. Esse dia saberemos que o Dia do Índio não e apenas cada 19 de abril, senão que todo dia é dia de índio, todo dia é dia de nós. Em nossa essência, somos todos índios.


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As veias abertas de Eduardo Galeano

quinta-feira, 16 de abril de 2015


Galeano a sol y sombra


Em 2009, num gesto que beirou a provocação, o então presidente da Venezuela Hugo Chávez presenteou a seu par estado-unidense Barack Obama com um exemplar do livro As veias abertas da América Latina, um libelo ardoroso publicado por primeira vez em 1971 que acusava aos países imperialistas -principalmente os Estados Unidos- de serem os culpados de todos os males latino-americanos. Chávez não imaginava então o que o próprio autor daquele famoso ensaio -reeditado inúmeras vezes com recordes de vendas-, chegaria a falar tempo depois dessa polêmica obra: "Eu não seria capaz de ler esse livro de novo. Para mim essa prosa de esquerda tradicional é chatíssima", disse Eduardo Galeano, lamentando ter pretendido fazer um trabalho sobre economia e política sem ter, na época, a devida formação sobre nenhuma das duas coisas.

Assim era Galeano, escritor e jornalista de rara e inabalável honestidade intelectual, que na segunda 13 de abril de 2015, aos 74 anos, decidiu nos deixar sozinhos lidando com as crescentes contradições de esse mundo desvairado e voltar para casa, na certeza e na tranquilidade do dever cumprido.

Uruguaio de nascimento mas patriota de várias pátrias como ele definiu a se mesmo, Galeano teve la honra, em 2008, de ser a primeira pessoa declarada Cidadão Ilustre dos países do Mercosul. Na ocasião, falando da América Latina, ele salientou que "somente sendo juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição que nos treinou para o medo, a resignação e a solidão, e que cada dia nos ensina a nos desquerer".

Agradecendo aquela distinção, que prestigiaram presidentes, artistas, políticos e intelectuais, ele leu um texto seu titulado Los mapas del alma no tienen fronteras, que você pode conferir a continuação, em espanhol, tal como foi pronunciado:

"Nuestra región es el reino de las paradojas.

 Brasil, pongamos por caso: paradójicamente, el Aleijadinho, el hombre más feo del Brasil, creó las más altas hermosuras del arte de la época colonial; paradójicamente, Garrincha, arruinado desde la infancia por la miseria y la poliomelitis, nacido para la desdicha, fue el jugador que más alegría ofreció en toda la historia del fútbol y, paradójicamente, ya ha cumplido cien años de edad Oscar Niemeyer, que es el más nuevo de los arquitectos y el más joven de los brasileños.
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O pongamos por caso, Bolivia: en 1978, cinco mujeres voltearon una dictadura militar. Paradójicamente, toda Bolivia se burló de ellas cuando iniciaron su huelga de hambre. Paradójicamente, toda Bolivia terminó ayunando con ellas, hasta que la dictadura cayó.

Yo había conocido a una de esas cinco porfiadas, Domitila Barrios, en el pueblo minero de Llallagua. En una asamblea de obreros de las minas, todos hombres, ella se había alzado y había hecho callar a todos.

–Quiero decirles estito –había dicho–. Nuestro enemigo principal no es el imperialismo, ni la burguesía ni la burocracia. Nuestro enemigo principal es el miedo, y lo llevamos adentro.

Y años después, reencontré a Domitila en Estocolmo. La habían echado de Bolivia, y ella había marchado al exilio, con sus siete hijos. Domitila estaba muy agradecida de la solidaridad de los suecos, y les admiraba la libertad, pero ellos le daban pena, tan solitos que estaban, bebiendo solos, comiendo solos, hablando solos. Y les daba consejos:

–No sean bobos –les decía–. Júntense. Nosotros, allá en Bolivia, nos juntamos. Aunque sea para pelearnos, nos juntamos.
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● Y cuánta razón tenía.

Porque, digo yo: ¿existen los dientes, si no se juntan en la boca? ¿Existen los dedos, si no se juntan en la mano?

Juntarnos: y no sólo para defender el precio de nuestros productos, sino también, y sobre todo, para defender el valor de nuestros derechos. Bien juntos están, aunque de vez en cuando simulen riñas y disputas, los pocos países ricos que ejercen la arrogancia sobre todos los demás. Su riqueza come pobreza y su arrogancia come miedo. Hace bien poquito, pongamos por caso, Europa aprobó la ley que convierte a los inmigrantes en criminales. Paradoja de paradojas: Europa, que durante siglos ha invadido el mundo, cierra la puerta en las narices de los invadidos, cuando le retribuyen la visita. Y esa ley se ha promulgado con una asombrosa impunidad, que resultaría inexplicable si no estuviéramos acostumbrados a ser comidos y a vivir con miedo.

Miedo de vivir, miedo de decir, miedo de ser. Esta región nuestra forma parte de una América Latina organizada para el divorcio de sus partes, para el odio mutuo y la mutua ignorancia. Pero sólo siendo juntos seremos capaces de descubrir lo que podemos ser, contra una tradición que nos ha amaestrado para el miedo y la resignación y la soledad y que cada día nos enseña a desquerernos, a escupir al espejo, a copiar en lugar de crear.
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Todo a lo largo de la primera mitad del siglo diecinueve, un venezolano llamado Simón Rodríguez anduvo por los caminos de nuestra América, a lomo de mula, desafiando a los nuevos dueños del poder:

 –Ustedes –clamaba don Simón–, ustedes que tanto imitan a los europeos, ¿por qué no les imitan lo más importante, que es la originalidad?

Paradójicamente, era escuchado por nadie este hombre que tanto merecía ser escuchado. Paradójicamente, lo llamaban loco, porque cometía la cordura de creer que debemos pensar con nuestra propia cabeza, porque cometía la cordura de proponer una educación para todos y una América de todos, y decía que al que no sabe, cualquiera lo engaña y al que no tiene, cualquiera lo compra, y porque cometía la cordura de dudar de la independencia de nuestros países recién nacidos:

–No somos dueños de nosotros mismos –decía–. Somos independientes, pero no somos libres.
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● Quince años después de la muerte del loco Rodríguez, Paraguay fue exterminado. El único país hispanoamericano de veras libre fue paradójicamente asesinado en nombre de la libertad. Paraguay no estaba preso en la jaula de la deuda externa, porque no debía un centavo a nadie, y no practicaba la mentirosa libertad de comercio, que nos imponía y nos impone una economía de importación y una cultura de impostación.

Paradójicamente, al cabo de cinco años de guerra feroz, entre tanta muerte sobrevivió el origen. Según la más antigua de sus tradiciones, los paraguayos habían nacido de la lengua que los nombró, y entre las ruinas humeantes sobrevivió esa lengua sagrada, la lengua primera, la lengua guaraní. Y en guaraní hablan todavía los paraguayos a la hora de la verdad, que es la hora del amor y del humor.

En guaraní, ñeñé significa palabra y también significa alma. Quien miente la palabra traiciona el alma.

Si te doy mi palabra, me doy.
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● Un siglo después de la guerra del Paraguay, un presidente de Chile dio su palabra, y se dio.

Los aviones escupían bombas sobre el palacio de gobierno, también ametrallado por las tropas de tierra. El había dicho:

–De aquí no me sacan vivo.

En la historia latinoamericana, es una frase frecuente. La han pronunciado unos cuantos presidentes que después han salido vivos, para seguir pronunciándola. Pero esa bala no mintió. La bala de Salvador Allende no mintió.

Paradójicamente, una de las principales avenidas de Santiago de Chile se llama, todavía, Once de Setiembre. Y no se llama así por las víctimas de las Torres Gemelas de Nueva York. No. Se llama así en homenaje a los verdugos de la democracia en Chile. Con todo respeto por ese país que amo, me atrevo a preguntar, por puro sentido común: ¿No sería hora de cambiarle el nombre? ¿No sería hora de llamarla Avenida Salvador Allende, en homenaje a la dignidad de la democracia y a la dignidad de la palabra?
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Y saltando la cordillera, me pregunto: ¿por qué será que el Che Guevara, el argentino más famoso de todos los tiempos, el más universal de los latinoamericanos, tiene la costumbre de seguir naciendo? Paradójicamente, cuanto más lo manipulan, cuanto más lo traicionan, más nace. El es el más nacedor de todos.

Y me pregunto: ¿No será porque él decía lo que pensaba, y hacía lo que decía? ¿No será que por eso sigue siendo tan extraordinario, en este mundo donde las palabras y los hechos muy rara vez se encuentran, y cuando se encuentran no se saludan, porque no se reconocen?
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● Los mapas del alma no tienen fronteras, y yo soy patriota de varias patrias. Pero quiero culminar este viajecito por las tierras de la región, evocando a un hombre nacido, como yo, por aquí cerquita.

Paradójicamente, él murió hace un siglo y medio, pero sigue siendo mi compatriota más peligroso. Tan peligroso es que la dictadura militar del Uruguay no pudo encontrar ni una sola frase suya que no fuera subversiva y tuvo que decorar con fechas y nombres de batallas el mausoleo que erigió para ofender su memoria.

A él, que se negó a aceptar que nuestra patria grande se rompiera en pedazos; a él, que se negó a aceptar que la independencia de América fuera una emboscada contra sus hijos más pobres, a él, que fue el verdadero primer ciudadano ilustre de la región, dedico esta distinción, que recibo en su nombre.

Y termino con palabras que le escribí hace algún tiempo:

1820, Paso del Boquerón. Sin volver la cabeza, usted se hunde en el exilio. Lo veo, lo estoy viendo: se desliza el Paraná con perezas de lagarto y allá se aleja flameando su poncho rotoso, al trote del caballo, y se pierde en la fronda.

Usted no dice adiós a su tierra. Ella no se lo creería. O quizás usted no sabe, todavía, que se va para siempre.

Se agrisa el paisaje. Usted se va, vencido, y su tierra se queda sin aliento. ¿Le devolverán la respiración los hijos que le nazcan, los amantes que le lleguen? Quienes de esa tierra broten, quienes en ella entren, ¿se harán dignos de tristeza tan honda?

Su tierra. Nuestra tierra del sur. Usted le será muy necesario, don José. Cada vez que los codiciosos la lastimen y la humillen, cada vez que los tontos la crean muda o estéril, usted le hará falta. Porque usted, don José Artigas, general de los sencillos, es la mejor palabra que ella ha dicho".
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"Não é inútil cantar a dor e a maravilha de ter nascido na América" dizia Galeano, que levava o sangue latino pulsando em suas próprias veias, abertas e atentas, o que lhe fazia perceber, com sensibilidade de xamã, o indômito espírito dos personagens que ia descobrindo no caminho, enquanto atravessava os tempos crus do nosso belo, selvagem e prometedor continente.

Partiu Galeano. Nessa hora em que no céu sua alma se faz voo de fulgurante estrela, aqui embaixo já sentimos saudades de sua luminosa presença. E nos perguntamos se a essa terra que ele tanto amou e que agora deixa para sempre ¿le devolverán la respiración los hijos que le nazcan, los amantes que le lleguen? 

Não o sabemos, porém desejamos que na terranova floreçam galeanos de todas as cores, de veias abertas, palavras andantes, memórias de fogo.q
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O primeiro partido da nova política

sexta-feira, 10 de abril de 2015


O espírito de mudança dos protestos sociais de junho de 2013 começam a ter projeção política. 

Em meio a crise institucional pela que passa hoje o Brasil, onde os partidos tradicionais se mostram absolutamente impotentes para dar respostas que fortaleçam e façam evoluir a democracia, surge uma nova proposta política com o intuito de se transformar, aos poucos, numa opção partidária que vise os interesses da maioria dos cidadãos em vez dos interesses da elite minoritária de políticos e empresários, hoje na berlinda por causa das práticas de corrupção.

E já nasce diferente, com nome mais de ONG que de partido. Raiz-Movimento Cidadanista acaba de ser lançado por pessoas procedentes de diversas experiências, inclusive dissidentes da Rede Sustentabilidade -desiludidos com o oportunismo de Marina Silva nas últimas eleições- e pretende se afirmar como uma alternativa viável aos 70% de brasileiros que, segundo as pesquisas, não se sentem representados por partido nenhum.

O novo grupo parece ter conseguido catalisar em sua carta de intenção as múltiplas demandas e os difusos anseios dos manifestantes que ganharam as ruas em junho de 2013, que então expressaram um espírito de mudança mas sem poder explicitar que tipo de mudança era essa. Analistas os mais diversos coincidiram em interpretar, até com asserto, que aquelas multidões reconheciam os avanços econômicos e sociais experimentados nos últimos anos no Brasil porém agora demandavam uma maior qualidade dos serviços -principalmente educativos e de saúde- na procura de uma democracia mais qualificada. Uma boa leitura geral porém superficial e insuficiente que não alcançou a traduzir aquilo que sequer os próprios manifestantes tinham claro.

A novidade que traz o nascimento desta organização é que pela primeira vez tenta-se, com seriedade analítica e compromisso prático, ensaiar uma tradução -básica, primária, inicial-  daquele espírito derramado nas ruas. E nesse sentido o  movimento Raiz se revela ousadíssimo quando apresenta sua Carta Cidadanista apoiada num tripé filosófico com conceitos inéditos no campo da (transviada) política brasileira: 

  1. O ubuntu, palavra africana que designa uma ética onde cada um reconhece que sua própria existência individual é possível pela existência de todos os demais, conceito usado por Nelson Mandela para unir a África do Sul; 
  2. O bem viver, singela frase na que se baseia a maneira simples e sustentável de viver pregada pelos povos originários da América, definição que já faz parte das atuais Constituições  Nacionais da Bolívia e do Equador; 
  3. O eco-socialismo, ideia que preconiza a prioridade do bem comum numa sociedade organizada em torno da imprescindível sustentabilidade.           


Nas ruas e nas redes      
Segundo os organizadores, o Raiz pretende iniciar um processo de divulgação, debate e enriquecimento da proposta antes de começar a coletar assinaturas para solicitar o reconhecimento legal como partido eleitoral. "Não queremos cometer o mesmo erro da Rede Sustentabilidade que, correndo atrás das assinaturas deixou de lado o debate e as definições e, no final, deu no que deu" salientam.

Segundo o expressado na Carta Cidadanista, pretende-se um partido de novo tipo que construa pontes para o diálogo entre os cidadãos e não atalhos para as castas dirigentes. Um movimento social e um partido político, ao mesmo tempo. Um partido que se construa nas ruas e também nas redes que integram os “debaixo”. "Nós nos recusamos a sermos transformados em mais uma engrenagem do jogo do poder".


Nesta fase transitória o movimento se propõe a ser um laboratório de experimentações em busca da igualdade política que significa o reconhecimento de que pessoas comuns, quaisquer cidadãos, tenham capacidade e meios para interferir nos rumos comuns da sociedade. "Buscamos um novo patamar de democracia, formada por sujeitos autônomos, capazes de gerir suas vidas e participar da gestão da vida pública. Não queremos mais um partido para as pessoas, queremos um partido com as pessoas".

Os plantadores da nova Raiz imaginam um partido ao mesmo tempo amplo, horizontal, democrático e constituído por círculos autônomos e protagonistas, que se inter-relacionem uns com os outros, igualmente de forma autônoma e democrática. Círculos como unidades de participação e respeito à diferença e à construção do comum. Círculos temáticos (reforma urbana, política de drogas, ambientalismo, etc.), territoriais (por estados, cidades, bairros, comunidades, escolas, universidades, locais de trabalho) ou identitários (LGBT, indígenas, jovens, etc.). Basta ter a iniciativa de criar um círculo e juntar pessoas para que ele seja criado.



Com certeza não será fácil a vida e o desenvolvimento de esta proposta pois ela está basada em novos paradigmas totalmente alheios àqueles da velha e decadente política, cuja compreensão exige pelo menos mentes abertas, o que hoje é um bem escasso nos círculos do poder. Mas ao mesmo tempo as novidades que o discurso do Raiz traz produzirá desafios sedutores para aqueles cidadãos que sintam chegada a hora da responsabilização dos indivíduos e da participação direita na formulação da sociedade e da cidadania desejadas pelas maiorias. Uma nova experiência política está em marcha. O tempo dirá em que vai dar.q
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Um prato cheio do Mediterrâneo

segunda-feira, 6 de abril de 2015



“A carne não é alimento do humano, mas alimento de certos animais. Todavia, nem todos, pois os cavalos, os bois e os elefantes se alimentam de ervas. Que horror é engordar um corpo com outro corpo, viver da morte de seres vivos. Os animais dividem conosco o privilégio de ter uma alma. Nunca tempere seu pão no sangue dos animais nem nas lágrimas de seus semelhantes". 
- Pitágora -
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Ha um interesse crescente nas alternativas alimentarias que dispensam a carne. Restaurantes naturais e vegetarianos ficam lotados na hora do almoço. Tornou-se comum, pelo menos nas classes médias urbanas, a preocupação em reduzir o consumo de carne, e surgiu uma indústria bilionária de produtos naturais que, nos Estados Unidos, já movimenta quase 8 bilhões de dólares.

Por outra parte, há no mundo 1,35 bilhão de bois e vacas. Criamos 930 milhões de porcos, 1,7 bilhão de ovelhas e cabras, 1,4 bilhão de patos, gansos e perus, 170 milhões de búfalos. Some todos eles e temos uma população de animais quase equivalente à humana dedicando sua vida a nos alimentar – involuntariamente, é claro. E isso porque ainda não incluímos na conta a população de frangos e galinhas abastecendo a Terra de ovos e carne branca: 14,85 bilhões.

Só no Brasil há 172 milhões de cabeças de gado bovino – quase uma para cada cabeça humana. Nosso rebanho bovino só é menor que o da Índia, onde é proibido matar vacas. Na média, um brasileiro come perto de 40 quilos de carne bovina por ano – ou seja, uma família de cinco pessoas devora uma vaca em 12 meses. Somos o quarto país do mundo onde mais se come carne bovina. Um brasileiro médio come também 32 quilos de frango e 11 quilos de porco todo ano. Sangue demais sendo engolida por nosso corpo. 

Não acha estarmos na hora de começar a experimentar outras alternativas? Pelo menos uma vez por semana -digamos, todas as segundas- você poderia descobrir e apreciar outros sabores. Se quiser encampar a idéia, aqui vai uma sugestão trazida das latitudes mediterrâneas.   

Arroz Mediterrâneo (com vegetais)
Uma receita de um dos cardápios mais equilibrados e saudáveis do mundo: o cardápio mediterrâneo. Neste caso uma combinação de arroz e vegetais com toda a influência do ingrediente chave dessa cozinha regional simples e um tanto erótica: o azeite de oliva. Um prato delicioso e leve para sustentar a campanha Segunda sem Carne (pelas pessoas, pelos animais, pelo planeta).

Ingredientes:
• 1 Xícara de arroz 
• 2 Colheres de sopa de azeite de oliva
• 1 Colher de sopa de tomilho seco
• Média colher de sopa de alho picado
• 1 Xícara de cebolinha
• 1 Pimentão
• 1 Berinjela
• 1 Zuchini
• 5 Tomate secos
• 10 Azeitonas (verdes ou pretas)
• Sal ao gosto
• Pimenta do reino ao gosto

Preparação:
• Cozinhar o arroz numa panela com muita água com sal, depois escoar e reservar
• Hidratar os tomates secos em água morna pelo menos durante 20 minutos.
• Cortar as berinjelas em cubos e temperar com sal, pimenta, tomilho e azeite de oliva.
• Colocar em uma travessa quente e levar ao forno forte até dar uma doradinha a todo. E reservar.
• Numa frigideira quente, botar azeite de oliva e refogar levemente o alho picado. Incorporar a cebolinha, o zuchini e pimentão, cortados em cubos. Refogar todos os vegetais.
• Acrescentar o arroz cozido e misturar com os vegetais. Incorporar as berinjelas forneadas, as azeitonas picadas e os tomates secos hidratados. Dar uma mexida para misturar todo. 
• Deixar no fogo baixo até dorar os grãos de arroz. Retirar e servir com salsinha picada.q

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Obs-cenas

quinta-feira, 2 de abril de 2015


A menina síria, de apenas 4 anos, olhou a lente telescópica que lhe mirava e achou que era um arma. 
Com olhos que já testemunharam o horror da morte, levantou logo as mãos em sinal de rendição. 
Quem lhe "apontou" com sua câmera foi o fotógrafo turco Osman Sagirli que encontrou a menina num campo 
de refugiados em Síria, país azotado pela guerra civil que já massacrou milhares de crianças. Até quando?
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