Escola para os novos tempos

sábado, 9 de maio de 2015


Crianças da escola Cirandas, em Paraty (RJ), fazem uma mandala de flores e folhas.

A pequena Escola Comunitária Cirandas, em Paraty, bela e rara cidadezinha do estado de Rio de Janeiro (Brasil), foi aberta há um ano e tem 50 alunos. Com o protagonismo da criançada, a entidade ensaia um novo paradigma educativo: trabalha com um método sem matérias, provas, séries ou sinal de recreio. 

Em um dia comum, as crianças chegam às 8h e entram em uma roda de cantos, poesias e tai chi chuan  "para despertar o corpo", diz a diretora, Mariana Benchimol. Em seguida, vão para a sala de iniciação –dedicada ao processo de alfabetização–, ou para a sala de projetos, onde fazem atividades semanais. A escola funciona em período integral. O horário obrigatório é até as 15h20. As crianças almoçam na escola, servem e lavam os próprios pratos, se revezam na organização do refeitório e brincam. 

Há também projetos anuais. No ano passado, por exemplo, os alunos fizeram uma viagem. "Primeiro eles queriam surfar no Havaí, mas viram que não seria viável e organizaram uma viagem para uma praia perto", conta a diretora. Eles calcularam custos, arrecadaram fundos e escreveram o roteiro da viagem.

Para Mariana, o ensino tradicional não leva em conta as diferenças dos alunos, e seguir uma apostila pré-elaborada fere a autonomia da criança. "Aqui, o professor tem um planejamento, que não é uma grade. Ele ouve as crianças e traz o conteúdo curricular de forma transversal". 

Música para despertar corpos, mentes e almas da gurisada. 
Todos os alunos da escola pertencem a um único ciclo, que corresponde ao 1º a 5º ano do ensino fundamental. Este ciclo tem aulas de projetos, artes, guarani, música, educação física, educação ambiental e culinária. Os estudantes são organizados em turmas de acordo com a intenção pedagógica, seja por afinidade de conhecimentos, por maturidade, por idade ou por projetos. E, por mais que não haja provas e notas, os alunos são avaliados diariamente. Existe uma base interna para acompanhar os Parâmetros Curriculares Nacionais.

A escola ainda propõe a diversidade. Metade das vagas é destinada a bolsistas. "Temos filhos de banqueiros convivendo com filhos de trabalhadores domésticos. Alguns viraram melhores amigos e frequentam a casa um do outro", diz a diretora.

Para quem paga, o valor é próximo dos R$ 1.000 mensais, que incluem alimentação, produtos de higiene e material escolar.

Ensaios pioneiros de uma nova educação, mais abrangente, mais holística, mais livre, mais inovadora que começa a deixar para trás os padrões de um currículo antigo e obsoleto desenhado para as necessidades da era industrial. Agora uma outra era está nascendo e precisa de um outro conceito de educação que supere as lógicas da instrução, do treino e do control. A hora é de libertar as crianças, das quais hoje temos mais coisas que aprender do que lhes ensinar.q
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