A diversidade humana na passarela

quinta-feira, 14 de maio de 2015


Andreja Pejic, da Bósnia com glamour. 
O caótico processo pelo qual vai se revelando a (bio)diversidade de gênero e de sexo existente no mundo dos humanos também vai derrubando preconceitos  -gerados na ignorância de nós mesmos, do desconhecimento daquilo que somos. O assunto parece estar de moda e, precisamente, o universo da beleza e da moda está se abrindo cada vez mais para abraçar a diversidade. Um exemplo disso é o sucesso obtido pela modelo transgênera Andreja Pejic que acaba de assinar contrato com a gigante francesa da maquiagem Make Up For Ever para ser a nova garota-propaganda da grife.

Nascida na Bósnia há 23 anos, firmou-se na moda como o top andrógino Andrej Pejic, estrelando campanhas de grandes marcas como Jean Paul Gaultier e Marc Jacobs após ter ganhado destaque ao ser confundido com uma mulher em um desfile em 2010. No início de 2014 ela realizou uma cirurgia de mudança de sexo  nos Estados Unidos e já no poderia ser mais confundida. Acrescentou a seu nome a feminíssima vogal a e desde então assina como Andreja.

Hoje Andreja conta: "há cerca de um ano e meio, eu reavaliei as coisas. Fiquei orgulhosa da minha carreira de gênero não-definido, mas o meu maior sonho era me sentir confortável com o meu próprio corpo", disse em entrevista à revista Style. "Fiquei feliz de ter chegado o momento e fiz". O novo contrato com a Make Up For Ever faz de Andreja a primeira transexual a estrelar uma campanha global no segmento de maquiagem.

Transgêneras são modelos da diversidade
Lea T, emergindo do Brasil para o mundo. 
Já o novo rosto da marca de produtos para o cabelo Redken, ligada à francesa L'Oreal, é a modelo transexual brasileira Lea T, que empresta sua bela cabeleira para promover uma nova linha de tinturas. Pela primeira vez a brasileira faz propaganda para uma marca de cosméticos.

Lea T ganhou destaque ao ser a escolhida da Givenchy para uma campanha em 2010 e a partir dai foi se firmando em seu trabalho até chegar a ser nomeada como uma das 12 mulheres que mudaram a história da moda italiana segundo a revista norte-americana Forbes. A publicação salientou que a importância da brasileira está no fato dela ter sido a primeira transgênero a ser fotografada por uma grande grife mundial.

A mineira é conhecida por seu papel de destaque na grife Givenchy, sendo uma das maiores modelos internacionais do momento. Ela já apareceu nua na capa daVogue francesa, luxuosamente vestida na capa da Elle e foi imortalizada na capa da Love anunciando um provocativo ensaio feito junto à veterana atriz Kate Moss.


Transgêneros são modelos de diversidade
Lea T na capa da Elle. Luxo total. 
O professor de psicologia do consumidor da Universidade de Roma, Bruno Maria Mazzara, explicou que "a escolha de uma modelo transexual reflete a mudança cultural em curso. O anúncio tem como objetivo agitar as coisas para falar a tantas pessoas quanto for possível".

Falar parece ser uma coisa menor porém não é. Ensaiar com amigos, colegas, vizinhos ou parentes uma conversa franca, honesta, livre de preconceitos quando o assunto somos nós mesmos é a melhor ferramenta que temos os humanos para descobrir-nos e conhecer-nos. Todos e cada um somos todos um. Cada um tem tudo o que o outro tem só que processado de modos diversos. Fazemos parte de um tecido quântico de informação que, em cada espírito e cada corpo individual é organizado de infinitas formas.

Falar abertamente do que sentimos e pensamos sobre sexo, gênero, diversidade tal como se fala de futebol, de música ou do clima pode ajudar muito a nos compreender melhor a nós e ao mundo no qual vivemos. Poder ver nos outros esses modos diferentes de ser e estar nesta vida, compara-los com a maneira com que a gente está estruturada pode permitir nos reconhecer, saber mais e melhor sobre nós e, em conseqüência, tomar decisões mais certeiras na procura de nossa plena realização.

Ao final, é como se cumprimentavam os maias quando no caminho se deparavam com um desconhecido: in lak'ech (que quer dizer eu sou outro você). E isso é, segundo o professor Mazzara, o que pode promover a inclusão no âmbito da modelagem de pessoas de gêneros ou sexos diversos: una profunda mudança cultural. De compreensão, de aceitação, de amor consciente e incondicional para todos e tudo. Uma mudança de paradigma que ecoa inclusive no conservador e luxuoso mundo da moda, tão atrelado aos interesses e às regras espúrias do mercado. Podemos achar um paradoxo mas, como se sabe, Deus escreve por linhas tortas.q

|| Via Animal de Galaxia
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