América para os americanos

segunda-feira, 6 de julho de 2015


La Havana, 2015.  No coração do povo a paz já estava feita. 
A chamada Doutrina Monroe foi anunciada pelo presidente estado-unidense James Monroe (1817 a 1825) em sua mensagem ao Congresso em 2 de dezembro de 1823. O seu pensamento consistia em três pontos:
- a não criação de novas colônias nas Américas;
- a não intervenção nos assuntos internos dos países americanos;
- a não intervenção dos Estados Unidos em conflitos relacionados aos países europeus como guerras entre estes países e suas colônias.

Por uma parte era uma advertência política aos países europeus para evitarem novas aventuras colonialistas no novo continente, resumida na famosa frase América para os americanos. Mas, por outra parte, na época do faroeste em que os governos e exércitos estado-unidenses expandiam suas fronteiras em direção ao Oceano Pacífico, arrasando com as terras e as vidas das populações indígenas, a nascente potência do norte queria cobrir suas costas.

E por isso, já no século 20, a doutrina Monroe ficou vinculada com a ideia de Estados Unidos de achar a América Latina como seu próprio quintal (el patio trasero) , adjudicando-se o direito de atuar nela como se fosse território escriturado a seu favor e, conseqüentemente, a invadir, matar, conspirar, derrubar governos, botar presidentes e ministros, tudo em ordem a garantir sua segurança territorial e proteger seus interesses econômicos.

Quase 200 anos depois de James Monroe, a frase América para os americanos parece mudar de significado. O presidente Barack Obama acaba de anunciar que o próximo 20 de julho Estados Unidos y Cuba reabrirão suas respectivas embaixadas em La Havana e Washington, deixando para trás 54 anos sem relacionamentos. "Líderes em toda América expressaram seu apoio a esta política” ressaltou Obama e solicitou ao Congresso de seu país o levantamento do embargo econômico à ilha caribenha, argumentando: "somos vizinhos e agora podemos ser amigos".

Chega ao fim um absurdo e longo conflito que condicionou os relacionamentos entre Estados Unidos e muitos dos demais países americanos e de muitos de estes países entre si. Não é um acontecimento menor para os povos do continente. Junto com o processo de negociação que levam adiante o governo da Colômbia e os guerrilheiros das FARC para acabar com um devastador conflito estendido por mais de 60 anos o restabelecimento das relações entre Cuba e Estados Unidos, apagando um permanente foco de tensão, será um grande aporte à paz no continente, condição necessária para o desenvolvimento da vida cotidiana dos povos e do processo pessoal de evolução das pessoas.

Aos poucos, mesmo nos solavancos das crises e a contramão dos setores reacionários vectores de uma energia obsoleta, América vai entrelaçando bandeiras, misturando etnias e culturas, caminhando em direção a uma ampla, poderosa e bela unidade para se converter na prática numa América para todos os americanos q
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