A fuga do consumismo

domingo, 24 de julho de 2016



Consumir menos, buscar alternativas e viver apenas com o necessário. Essa é a tendência que vem crescendo entre os jovens que começam a dar conta do recado do Movimento Lowsumerism: o processo de autodestruição causado pelo consumismo só poderá ser freado por meio de um profundo despertar de nossa consciência.

É ingênuo acreditar que hábitos individuais não interferem na vida de mais ninguém. Lowsumerism (baixo consumo) é um movimento que deve ser colocado em prática com urgência: o consumismo é um comportamento ultrapassado do qual logo sentiremos vergonha.

Mas o que isso significa na prática? Como ser mais consciente e consumir menos? Como esse comportamento pode ser viável em uma sociedade dominada por indústrias e marcas? As respostas vêm em camadas, são compostas por microtendências que levam a uma macrovisão da vida contemporânea.

A tendência é que, nos próximos anos, o mercado abrace esta mentalidade e assuma o papel de requalificar o desejo do consumidor, deixando-o menos associado ao excesso. O consumidor, cada vez mais consciente, abraçará as alternativas de novos modelos mercadológicos capazes de atender às suas necessidades e vontades de uma maneira menos nociva. Quer saber mais? Dê uma olhada nesse vídeo...



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Negócios com novo espírito

segunda-feira, 11 de julho de 2016



* Por Marina Colerato

Desde a Revolução Industrial, no final do século 19, somos bombardeados com a mensagem de que para sermos pessoas felizes, bem sucedidas e plenas, devemos comprar os signos semióticos responsáveis por garantir esses endossos capitalistas — carros, roupas, joias, celulares, etc. Fomos programados para acreditar que a felicidade reside no ter.

Porém esse cenário está mudando a partir desta própria percepção, que dá lógica ao consumo consciente. O lowsumerism indica uma sociedade questionadora que busca novas formas de se relacionar com o mundo contemporâneo.

Com esta consciência, renova-se a busca pela espiritualidade. Nos últimos anos, um momento coletivo de maior introspecção promove um olhar menos egoísta e menos autocentrado, capaz de enxergar a nossa relação com o mundo e com as pessoas de maneira mais integrada.

Na abundância frenética de conexão da nossa sociedade, há igualmente desconexão. Sem perceber, desconectamos de tudo — família, amigos, sociedade, meio ambiente, de nós mesmos, daquilo que entende-se como deus ou universo.

A busca contemporânea pela espiritualidade é observada em hábitos cotidianos: a popularização do yoga-at-your-desk, a ascensão do veganismo e da paz intestinal, a valorização da medicina integrativa… São práticas que promovem, acima de tudo, autoconhecimento; estão distantes de dogmas e mais próximas do “verdadeiro eu”.

São possibilidades de satisfação que conduzem a uma vida sem as amarras sociais e culturais propostas pelo consumismo. Bens de consumo não são suficientes para que nos identifiquemos como pessoas, de maneira completa e verdadeira, e essa percepção é cada vez mais tangível. Afinal, quanto mais possuímos, mais infelizes ficamos.

Por que agora?
O interesse do Ocidente pela espiritualidade não é novo. Desde os anos 1960, a cultura pop dissemina filosofias orientais como o budismo e seus ensinamentos milenares. Nos anos 1970, a espiritualidade foi uma das forças que potencializaram os movimentos feministas, raciais e ecológicos.

Na filosofia moderna, Soren Kierkegaard, Jean-Paul Sartre e Martin Heidegger afirmam que o Ser constrói-se a cada ação. Para os existencialistas, não nascemos com uma finalidade definida: estamos constantemente em busca de um propósito para preencher o vazio desta falta de finalidade da existência.

Hoje, entre incertezas políticas e econômicas, queda da confiança na governabilidade e ascensão dos movimentos sociais contra a maré do conservadorismo, cresce a noção de que não nascemos apenas para pagar contas e morrer.

A sociedade passa a se direcionar a um caminho de questionamento em busca de respostas mais satisfatórias. Essa consciência espiritualizada está vinculada à busca por um propósito maior.

“A árdua tarefa de compor uma vida 
não pode ser reduzida a adicionar episódios agradáveis. 
A vida é maior que a soma de seus momentos.” 
- Zygmunt Bauman -

É por meio dessa busca do propósito que dê sentido à existência que, aos poucos, práticas espirituais ganham mais espaço na vida das pessoas. O precioso tempo passa a ser gasto com um encontro consigo próprio em busca de autoconhecimento. Ioga e meditação nunca foram tão populares. Retiros espirituais, como o de Piracanga, tornam-se os novos destinos de desejo. A vida cosmopolita e agitada, cheia de shoppings, lojas, bares e baladas, começa a parecer menos interessante do que uma casa sustentável em uma ecovila.

Propósito no mercado de trabalho
Ser feliz, para o “eu” espiritualizado, está ligado a colaborar com a felicidade dos outros e com a construção de um mundo melhor. Pessoas com propósitos altruístas, em busca de um mundo bom para todos, olham para além de si e se posicionam como agentes transformadores: amplificam seus valores no mundo dos negócios com questionamentos sobre as fronteiras entre trabalho, diversão e agente social.

Pessoas que encontraram seu propósito maior dão luz a empresas que inspiram mudanças com objetivos que estão além do lucro financeiro. São iniciativas que colocam em xeque a unanimidade do sistema econômico atual com alternativas como capitalismo consciente, economia solidária, negócios sociais, economia colaborativa, economia sustentável e pós-capitalismo.


Podemos concluir, então, que o encontro com o “eu” e com um propósito maior a partir do autoconhecimento proposto pela espiritualidade, ou a necessidade latente de preencher um espaço agora vazio, antes ocupado por bens de consumo, é capaz de subverter a ordem dos tempos líquidos, cujas premissas são insolidez e fugacidade. Os novos propósitos escapam à logica do capitalismo e sugerem um estilo de vida mais inclusivo e menos focado em acúmulo de capital.

“Não busque satisfação nos meios materiais ou desejos oriundos. Busque a Bem-aventurança pura, indestrutível e incondicional dentro de você, e você terá achado a Alegria sempre-nova.” — Paramahansa Yogananda, fundador da Self-Realization Fellowship.

A era em que vivemos nos convida a instaurar novas, e mais conectadas, maneiras de viver em sociedade. Da próxima vez que fizer uma compra ou fechar um negócio, questione-se sobre o propósito daquela ação e se ela traduz as verdades da sua alma e espírito.q


* Marina Colerato é escritora, interessada em movimentos sociais. É fundadora da plataforma de comunicação Modefica. Acredita no poder da informação e do autoconhecimento como forma de empoderamento individual e, consequentemente, social. 

|| Via Ponto Eletrônico
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Caldinhos para amenizar o inverno

segunda-feira, 4 de julho de 2016


Caldos quentes para o frio do inverno

“ Feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos 
pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derrame de sangue. Os dourados grãos que nascem para todos dariam para alimentar e dar fartura ao mundo. 
Buda
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O inverno do hemisfério sul já está aqui e teremos muitos dias e muitas noites frias pela frente. As temperaturas baixas serão sentidas especialmente pelos que vivem ao sul do trópico de Capricórnio. Nessas horas sentiremos falta de um alimento quente e nutritivo. Por isso, preparar receitas de caldos vegetarianos no dia a dia é uma ótima opção. Além de esquentar e alimentar, esse tipo de comida traz inúmeros benefícios. Em nosso cardápio desta Segunda Sem Carne temos dois deliciosos caldinhos: um de abóbora e outro de ervilha. Para você valorar quanto de bom pode resultar estas receitas, a nutricionista Tanara Stumpf Trenz nos brinda com interessantes dicas sobre as qualidades dos dois caldos. E ainda você vai conferir que são muito simples de fazer.

Caldo de abóbora
Segundo Tanara, a abóbora possui baixa quantidade de calorias, além de ser uma boa fonte de fibras, vitaminas e minerais. O vegetal contém fito nutrientes que mantêm a saúde da pele e ajudam a impedir os malefícios causados pela luz solar. Ainda tem ação anti-inflamatória, ajuda a reduzir problemas renais, melhora os níveis de triglicerídeos e auxilia também quem sofre de constipação intestinal. A abóbora tem efeito laxante e é depuradora de tóxicos intestinais que elevam a pressão arterial. Facílimo de preparar, vai aqui a simples receita para começar a experimentar logo:

Caldos quentes para o frio do inverno
Ingredientes:
- 3 xícaras de abóboras em cubos com casca
- ¼ de cebola
- ½ dente de alho
- ¼ xícara de azeite de oliva
- 1 colher (sopa) de mel
- 1 colher (sopa) de shoyu
- 1 colher (sopa) de suco de limão
- Ovos picados a gosto
- Salsinha e cebolinha a gosto

Modo de preparo:
Cozinhe a abóbora em cubos em 800ml de água. Depois de cozinhar, junte 200ml do caldo com a cebola, o alho, o azeite, o mel, o shoyu e o limão no liquidificador. Triture até obter uma consistência de creme.

Quando estiver na consistência desejada, acrescente a abóbora e coloque mais 100ml da água do cozimento. Misture o sal, ovos, salsinha e cebolinha conforme o gosto.

Caldo de ervilha
Para fazer receitas de caldos, a ervilha é uma ótima opção. A nutricionista explica que além de ser pouco calórico, esse grão é um poderoso antioxidante, ou seja, combate os radicais livres responsáveis pelo ataque celular e, consequentemente, o envelhecimento precoce.

Esse grão contém sais minerais como cálcio, fósforo, ferro e potássio, além do enxofre, substâncias responsáveis pela formação dos tecidos. A ervilha ainda é rica em proteína de origem vegetal, vitamina A (importante para formação óssea), vitamina K (que ativa a absorção de cálcio), vitaminas do complexo B (que contribuem para produção de energia) e vitamina C (antioxidante natural que contribui para os processos de cicatrização).

Caldos quentes para o frio do invernoAlém de possuir ácido fólico (substância importante para a formação de novas células e funcionamento do sistema nervoso), o grão também é rico em fibras solúveis, que vão controlar o colesterol e a liberação de açúcar no sangue, além de diminuir a absorção de gordura ruim. Confira a receita:

Ingredientes:
- 500 g de ervilha seca
- 1/2 cebola picada
- 2 dentes de alho espremidos
- 2 colheres (chá) de azeite de oliva

Modo de preparo:
Lave a ervilha e deixe-a de molho por cerca de duas horas. Em uma panela de pressão, cozinhe a cebola, o alho e a ervilha por cerca de 20 minutos. Retire o grão cozido da panela, tempere com sal e ervas e  bata no liquidificador. Coloque em uma tigela e sirva.
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