O tempo de fazer a escolha

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018


Chegado o fim dos tempos, o céu e o inferno 
se manifestarão simultaneamente 
e cada pessoa deverá escolher 
de que lado viver. (Profecia Maya 2)

Para alguns, The Matrix é apenas mais um filme de ciência ficção, uma produção típica da fábrica de sonhos de Hollywood, mas para aqueles que apreciam a filosofia de The Matrix, é uma chamada wake-up, uma convocatória ao despertar da nossa consciência. O filme desafia nossa compreensão de perspectiva, realidade, ilusão e muitos outros conceitos intrigantes. A quase 20 anos da estréia muita coisa do filme se tornou verdade. O seguinte diálogo entre Morpheus, o líder espiritual, e Neo, chamado de “o escolhido”, parece reafirmar a certeza que temos muitos de nós de que nessa atual ordem mundial alguma coisa não funciona mais, alguma coisa falhou e não tem mais conserto.

-Morpheus: ... ¿Acredita no destino, Neo?
-Neo: Não.
-M: ¿Por que não?
-N: Não gosto da idéia de não ser eu quem controla minha vida.
-M: Eu sei exatamente ao que você se refere. Vou te explicar porque você está aqui. Você está aqui porque sabe algo. Mesmo que você não possa explicá-lo. Porém o percebe. Foi assim durante toda sua vida. Alguma coisa não funciona no mundo. Você não sabe o que é, porém está aí, como um espinho em tua mente. E isso está enlouquecendo você. Essa sensação te trouxe até mim. Sabe do que estou falando?
-N: ¿Da Matrix?
-M: ¿Gostaria saber o que é isso? A Matrix está em todo lugar. É tudo que nos rodeia. Mesmo agora, nesta sala. Você pode vê-la quando olha pela janela, ou quando você ligar sua televisão. Você pode sentir isso quando você vai para o trabalho, quando você vai à igreja , quando paga seus impostos.
-N: ...
-M: A Matrix é um sistema, Neo. Esse sistema é nosso inimigo. Mas quando você está dentro, olha em volta, o que você vê? Empresários, professores, advogados, carpinteiros. As mentes das pessoas que estamos tentando salvar. Porém, essas pessoas ainda são uma parte desse sistema. Você precisa entender, a maioria dessas pessoas não está preparada para ser desconectada. E muitos deles são tão inertes, tão desesperadamente dependentes do sistema que eles até vão lutar para proteger o sistema. A Matrix é o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para cegá-los da verdade.
-N: ¿Que verdade?
-M: Que você é um escravo, Neo. Assim como todo mundo, você nasceu em um cativeiro, preso em uma cela que você não pode sentir, nem cheirar, nem saborear, nem tocar. Uma prisão para sua mente. Por desgraça não se pode explicar o que é a Matrix. Você vai ter que vê-la com seus próprios olhos. e esta é sua última oportunidade. Depois, não poderá voltar atrás. Se você tomar a pílula azul, pronto, é o fim da história. Acordará em sua cama e acreditará no que você quiser acreditar. Se toma a pílula vermelha, você fica  no País das Maravilhas e eu te ensinarei até onde vai a toca dos coelhos. Se lembre, o único que te ofereço é a verdade. Nada mais.
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Nessa hora do mundo,  na que atravessamos uma crítica e inquietante transição planetária, a questão da verdade é a chave mais chave da  vida, da nossa vida, da vida de cada um de nós. Mestres, sábios, xamãs, bruxos estão tentando nos guiar para a gente achar o caminho da verdade, aquele que nos tira da insuportável ilusão desse sistema materialista-extrativista-produtivista-consumista que já não vai a lugar nenhum, para levar-nos a outro nível de consciência e outra vida mais harmônica, mais justa, mais amorosa, mais bela.

Porém, não será essa guia que decidirá qual caminho iremos a tomar. Os guias nos mostram o caminho mas a decisão é, inteirinha, nossa. É a hora da decisão de cada um por si e para si. Da mesma forma que no filme Matrix, o que nos é apresentado é uma escolha: de que modo preferimos ver e viver a vida?

A escolha está aí: a pílula azul ou a pílula vermelha. Qual tomaremos?

Pílula azul:

  • Escolhemos viver na ignorância.
  • Ignoramos o que se passa, e por isso estamos satisfeitos com aquilo que vemos/temos/sabemos.
  • Seguimos aquilo que nos é ditado, aceitamos o que nos é dito, e não temos opinião própria.
  • Assumimos que está tudo determinado, e não temos escolha.
  • Estamos confortáveis naquilo que assumimos ser a realidade.
  • Estamos contentes com aquilo que somos e que sabemos.
  • Estamos felizes com ir trabalhar/estudar todos os dias, acordar todos os dias à mesma hora, fazer exactamente as mesmas coisas todos os dias, seja lavar os dentes ou jantar a uma certa hora, trabalhar sempre à semana descansando ao fim-de-semana, ter férias sempre em certa altura, etc.
  • Basicamente, aceitamos o hábito, preferimos a rotina, viver sempre da mesma forma, ficar sempre no mesmo sítio, saber sempre as mesmas coisas, falar sempre com as mesmas pessoas, seguir sempre as mesmas políticas, seguir sempre aquilo que já sabemos, etc.
  • Deixamo-nos levar pela pressão social, quer na forma como devemos viver a vida, quer na forma de pensar.
  • Deixamos que a sociedade nos imponha o que pensar e como viver.
  • Sucumbimos à socialização (feita pela sociedade à nossa volta) e à educação formal (nas escolas, como diria Duckworth, que castram a nossa criatividade e individualidade).
  • Vivemos sempre dependentes de outros, e do que já é sabido.
  • Vivemos uma possível ilusão.
  • É mais fácil viver assim, é mais confortável quando não somos responsáveis pelo nosso destino.
  • Potencialmente leva a uma vida mais feliz: “Ignorance is a bliss” – a ignorância é uma benção que nos deixa felizes com a vida que temos.

Pílula vermelha:

  • Queremos sempre ter um maior conhecimento, queremos saber sempre coisas novas, queremos aprender, queremos melhorar.
  • Examinamos a vida e a realidade.
  • Teremos certamente surpresas: umas vezes agradáveis e outras vezes desagradáveis.
  • Teremos uma maior pressão social para seguirmos a vida e a forma de pensar que nos impõem.
  • Questionamos o que nos dizem, questionamos o status quo, não estamos satisfeitos com aquilo que nos é apresentado, procuramos a verdade, não enveredamos por conspirações mas tentamos ver mais longe, tentamos mudar/melhorar as coisas, etc.
  • Duvidamos, arriscamos, questionamos, e procuramos as respostas.
  • Temos uma mente inquisitória (própria dos jovens de espírito, como diria Einstein, que continuam a colocar questões que parecem simples).
  • Temos uma mente aberta para experimentar coisas novas – “thinking outside the box”; mas não tão aberta que o cérebro caia.
  • Saímos fora da nossa zona de conforto, de modo a termos outras experiências.
  • Utilizamos o pensamento crítico, o “critical thinking”.
  • Pensamos por nós próprios.
  • Fazemos as nossas próprias escolhas, as nossas opções.
  • Damos um sentido à existência, em vez de nos limitarmos a sobreviver.
  • Procuramos e tentamos entender o sentido da vida.
  • Damos enorme valor à consciência, à forma como vemos o mundo à nossa volta.
  • Não nos limitamos a observar, mas pensamos, reflectimos, questionamos.
  • Entramos numa viagem que busca a verdade e o conhecimento. É uma viagem, um método de descoberta.
  • A responsabilidade da nossa vida, é nossa. Nós é que fazemos as opções para a vida que temos actualmente, e que teremos no futuro.

|| con aportes de Carlos Oliveira na bula das pílulas.
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